quarta-feira, 19 de outubro de 2011

FOME (324)

Se te perguntares
tu falas?
Tenho fome,
que me dói e enverga a alma...
Tenho pouco,
mas se quiseres,
ofereço-te
um punhado de dor e desespero
(a angústia do não ter a cada dia).
Queres comida?
Necessito,
com a urgência
do que não se pode mais adiar...
Mas preferes não mais falar (?)
cala-se (te)
com a sobriedade,
resignação e tristeza
de quem não tem mais porque dizer em seu socorro,
com o cansaço de quem se apresenta tão óbvio
aos possíveis leitores de sua miséria,
observadores,
platônicos,
atônitos,
inertes,
dispersos imersos em suas próprias realidades degradantes...
Afasta-te!
não me incomodes
(ofendas)
com a explicitude de tua pequenez...
que não é só tua
Diga-se
(a todos nós cabe)
humana,
aviltante...
Fraqueza...
como quem já não luta,
releva,
submete-se,
humilha,
rebaixa-se (?)
E se te estenderes a mão?
Precisas de ajuda?
Dá-me.
Tenho fome.
Preciso de alimento.



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