segunda-feira, 23 de abril de 2018

Eis-me aqui (315)

Eis-me aqui
Eu não sou ninguém
Eu não tenho nome
Sou distinguida por minha c(d)or
Por meu sexo e sexualidade
Por minha vulnerabilidade

Eu não tenho voz
Emudecida pela mordaça
Eu não tenho mãos para alcançar
Eu não tenho pés para caminhar

Eu não tenho rosto
Eu não tenho gosto
Eu não mereço amor?

Eis-me aqui, o teu cordeiro
A lutar, a lutar, a lutar

Emudecido que estou, não me calo
Amordaçada que estou, não paro

Subtraída, me multiplico
Estou em cada rosto tinto
Em cada uma que carrega, que gesta, que gera

Não me calo
Não me calam
Não me param

Eis-me aqui em ti.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

PEIXES (314)


Tu és piscina azul e profunda.
Contigo editei meus traumas, curei meu quarto, alcancei o espinho que me perpassava, me recompus.
Já eu, FUI “el pecado que te dió nueva ilusión en el amor”. FUI “la aventura que llegó para ayudarte a continuar en tu caminho.”.
Tu se “afogou” em sentimento.
Nosso amor foi, é e sempre será páscoa, renascimento.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

(313)

Por que te assombras?
A luz também se veste de trevas,
esta que tu teimas em esconder, reprimir...eu vasculho, vigio e (me) reconheço.
Não temas!
O que a noite esconde, o Sol queima.
Ferve em tua dualidade, deixa-a brilhar...
que não há mal que dure,
não há o que a luz não cure.

terça-feira, 8 de março de 2016

PARTIDA (314)

Quis ser teu porto seguro, tua parada,
para onde tu sempre retornara.
Mas tu me disseste que não,
estivera só por esta caminhada
e partiste para tentar outra morada,
a silenciar a solidão que tu chamas (que fizeste) de casa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

FOGO (315)



Tu chegaste com toda tua energia de renovação.
A atração inevitável à nação do fogo,
Que se consome ao calor e frenesi das chamas,
Que se alimenta do que há, porque tem (nho) fome...
Que mata, porque tem (nho) fome...
Que destrói para reconstruir coisas belas.

Trouxe consigo o sabor da novidade...
Um punhado de amor, permeado de dor e desassossego...

Depois de ti, as noites não são mais tranquilas...
Meus dias já não aquietam a mente...
Teimo em pestanejar, resistir ao hábito obsoleto...

O que fui já não me comporta mais...o que fomos já não nos basta...
Será que nossos caminhos ainda se cruzam?

Deixo-te assim, inacabada, como estou agora...alegria para recomeçar.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

DESENCANTO (316)

Enquanto te falo de amor,
tu me vens com o amaldiçoado recurso
e o põe em nossa cama...

Surpreende-me com o peso que atribui às minhas palavras.
Desconheço!
Teu coração embrutecido...
Minha ignorância...
Descompasso!

Enquanto acredito fazer-te o bem,
tu se prendes ao passado,
à vida que cabia no esforço de tuas mãos, que ainda te comporta e aos "ãos" que te fizeram história...

Teu dia está nublado, te falta o Sol a iluminar o caminho à tua frente.
Estou aqui, 
Mas o teu "interior está (a)podre(cido)" 
e o meu despedaçado.




terça-feira, 8 de abril de 2014

SERTANIA (317)

Faço de ti minha raiz.
Aquela que me nutre e sustenta.
Não importa o chão,
Não importa a morada.
Vento
Água
Terra
Aridez
Arado
Me alimento de tua sertania,
Da lua que queima ao meio dia e arde à noite.
Ah! Foi-se...
A sombra em meu caminho...
Dilacerada.