quarta-feira, 18 de maio de 2011

AVESSO (330)

Apresenta-te contida,
vestida de sutilezas...
(por mim)
Dispo-a do avesso,
prefiro teu flagrante escancarado
a qualquer meias palavras (tuas).
Leio-a em
desalinho,
tingida em cores fortes,
para que tu (me) caiba
(se comporte)...
Assim, permito que tu sejas,
busco o melhor de tuas matizes
(para que tu me ofereças)
aquela que guardas
(sem nome).

sábado, 23 de abril de 2011

SABES ... (331)

A VONTADE
que tenho é arrancar-te a roupa 
(com pressa)
e não precisa muito,
basta o suficiente para que eu veja um pedaço de tua pele 
(que não alcanço).
(...)
Enquanto me contas 
(devaneio)
desvio o olhar pra tua boca
(disfarço)
reato o prumo
(sem êxito)
e novamente me perco,
ANTECIPANDO 
minha língua na tua (...)
(...)
O que teu corpo me diria 
(além do gozo reprimido) ?
O que tua boca não (me) calaria?
(...)
Tua febre (me) molhando,
minha cadência demorada,
repetida,
seguida,
te acelerando,
até tua frequência ritmada
dis-parar,
tua voz arquejante,
descompassada,
irregular,
calar meus sussurros cegos,
tua carne trêmula, 
em meus braços,
se acalmar.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

APENAS MAIS UMA (332)

O que mais dizer?
São apenas lamentos
(...)
Antes das boas vindas, sempre despedidas.
Saboreio amores
(só)
Digo adeus forçosamente.
Guardo como companhia a amargura de tua lembrança
(tão minha),
embriagando o meu corpo à procura do teu,
mas
(sem êxito)
já não o encontro
(...)
e só o que me resta
é por-te em linha
pra por-te um ponto
(final).


domingo, 27 de março de 2011

A TRÍADE MORIBUNDA CAMBALEANTE (333)

Almas penadas,
Corpos encarnados,
Almas encarnadas,
Corpos penados.
Duas mulheres e um homem.
Melanina,
Sem
e um pouco de ambos,
um Mestiço
(indefinido e indefinível).
(...)
Enfermos retardatários gregários convergentes de toda a sorte de males.
Nem os unguentos lhes cabem,
Seus corpos os repelem aos blocos
(são mais perigosos surpreendentes que aconselháveis).
SUI GENERIS
Acometidos de todas as ites, todos os ismos,
doenças oportunistas, que se aproveitam da sintonia física,
da defesa química atraente
e ali se instalam com propriedade,
muitas vezes como hóspedes passageiros,
outras tantas como residentes inevitáveis, inconvenientes, persistentes.
(...)
Mas a teimosia permeia aos três pilares.
Jamais se rendem
aos apelos limitantes.
Apenas permitem
que a LUZ os atravesse,
que o SOL os esquente,
que o SANGUE lhes ferva,
que o MAR os salgue,
que a NOITE os abrace,
que o FRIO os resfrie, 
que o INCERTO os leve,
que a EMBRIAGUEZ os alcance,
que o que HÁ os surpreendam,
que a TERRA lhes dêem um chão,
mas que nunca os sufoquem (só se prendem por vontade e quase nunca o querem).
(...)
Vanguardistas Tradicionais,
O caminhar é permeado de intenções escusas e vicissitudes.
O quadril é dança (malemolência) que carrega muito de sua herança (chegada na cor),
por menos que pareça, por mais óbvio que seja.
(...)
Em corpos trocados e nem tanto,
O feminino impera, traz pra si.
O masculino se impõe, oferece sua força (abre caminhos), cobra respeito, protege.
E a madrugada os traga,
engolem vida,
devoram, digerem, absorvem,
ansiosos por mais,
nunca se esgotam,
mentes irrequietas (inquietantes).
(...)
Por onde passam legam sua identidade.
Jamais desapercebidos,
BELOS,
não os permitem silenciar
e continuam (insaciáveis),
TALENTOSOS,
viajantes dispersos e coesos,
em TRÊS,
em TRIO,
em COMUM,
apoiando-se,
cambaleando pela rua,
até o próximo cais,
até a próxima morada,
até a próxima partida,
até MAIS (...)

MERETRIZ (334)

Nua, 
na rua crua,
sujeita a toda e qualquer sorte.
(...)
Alcunham-te prostituta
e te esquecem mulher.
(...)
Os à margem que te procuram, 
te arrastam para a exclusão que experimentam,
te infligem dores, 
doenças do corpo e do caráter,
teu legado,
te desgastam teu valor.
(...)
Tu carregas o ônus de ser julgada, 
teu corpo usado,
fragilizado,
esconde os estigmas.
(...)
Tu és flagrante escancarado que não se aceita,
se relega às esquinas e aos quartos úmidos
de prazeres solitários.
(...)
Tua realidade é fria,
só,
tua vontade,
congelas,
somente o teu desejo não se compra,
finge-o,
guarda-o
e o teu gozo,
dá
e é só teu.


quinta-feira, 24 de março de 2011

SEGUE (?) (335)

Gostaria tão somente de dizer-te VAI,
com a convicção de quem apenas segue 
sem se impor o risco de se tornar SAL.
Mas sinto que se tu me quiseres,
apenas serei EU,
pontualmente referenciada no presente.
Um instante e temo te aceitares e à tua sorte,
sem sopesar o tempo
(repetitivo) 
nem tão passado,
(quase in-evitável),
minha palavra (curvada),
minhas promessas (des-feitas),
nossas dívidas e muitas dores,
comuns 
(e não nossas).

(IN) DISCRETO (336)

Não me escancare tanto ao mundo (me guarde)
Deixe um pouco pra mim (só) pra mim (...)
Quando me leio em ti (desperto) o que havia tão bem reservado (revolvo sentimentos sinceros)
É inevitável o choro,
a voz embargada,
os olhos marejados,
o coração apertado,
esta agonia que me es-vazia (...)
Não me escancare tanto ao mundo (me proteja)
Permita apenas que eu minta (dissimule) corrija, me defenda (não reviva).
Não me dê nome (batismo)
Não me dê endereço (diga somente que tenho casa)
Permita apenas que eu encerre (vigie)
enquanto me guio (rumo, prumo) por tantos meandros frios, renúncias quentes (prefira, pondere)
Permita que eu me descubra espontânea e nem tão (pouco) óbvia aos teus (quaisquer) olhos,
mas continue me observando, me traduzindo, me interpretando (me lendo)
porque gosto que me permitas (ser)
percorrendo a minha história (já tão sua, tão nossa)
e me contando (a minha vida) por tua guia
Me transcreva.
Me exponha.
Me narre.
Me apague.
Me dispa.
Me meça.